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Assunto original: Malha construtiva por Fabio Morgado
Enviado em 12 agosto 2003
Bem. Sabemos do medo que todo adepto do liberalismo visual tem a respeito de "regras", e isto acaba culminando em verdadeiro pavor de coisas do tipo chaves, normógrafos, pantógrafos, grids e outros meios de se chegar a um objetivo com maior rapidez, ou de, ao menos, iniciar o percurso a estes objetivos. É isto o que também é a malha construtiva (que, aliás não conhecia com este termo), um meio de iniciar um trabalho, o sustentáculo de uma construção visual, ou seja, o esqueleto do projeto.
Quase tudo que nos rodeia possui um esqueleto, uma estrutura de sustentação. Desde os primórdios da arte e também da comunicação, visto que um nasceu através do outro, já se usava uma estrutura de sustentação da forma. O boneco palito, por exemplo é o precursor do esboço da figura humana e apenas os bem treinados desenhistas se arriscam a desenhar a figura humana sem os esboços. Assim também é na comunicação através do design. Sem a forma básica, que delimita a área de trabalho, é muito difícil se conseguir um design coeso.
"A liberdade pode tornar-se em prisão, quando negamos os conhecimentos aplicados por gerações na obtenção de resultados satisfatórios."
As grades não limitam o trabalho de criação, ela lhe dá estrutura. Algumas formas de arte aparentemente desorganizadas, mas agradáveis ao olhar, como é o caso da pintura abstrata, possuem um intrincado sistema de proporções que lhe garante a unidade da forma, que lhe define o todo.
Me respondam: Como transpor os limites se não pudermos visualizá-los?
A liberdade pode tornar-se em prisão, quando negamos os conhecimentos aplicados por gerações na obtenção de resultados satisfatórios. Ou seja, toda experiência que se adquire em trabalhos repetitivos, torna-se técnica. Cada um tem as suas para chegar a diferentes lugares, e algumas chegaram já ao estado de commodities.
Porque andar em círculos se podemos caminhar diametralmente?
Fabio Morgado